domingo, 10 de maio de 2009

ISNA



Rodeado de um silêncio atroz, repousam as ruínas dos moinhos, torneados pelo tempo e sepultados no inconsciente da memória…

Recalcados. Desnudos. Emergem de um imponente mas já desgastado leito, penetrante entre imaculados vales de cumes quase inalcançáveis, lembrando vagamente opacos arco-íris que outrora brilhavam ferozmente. Neles jaze o sangue que lhe constitui, que flui nas suas veias para sempre - vulgo a Isna.

Caminhando devagar. Focando o infinito da imagem. Desponta o caos da sua percepção, como a contra luz de um pôr-do-sol iluminando os vultos do passado. Metafísica determinada em alcançar, em beber de algum do suor derramado. Fluído conhecimento transportado pelo pão, pelo nectar dos deuses, pelo o brilho das gentes condutoras de ossos... elas, as gotas de orvalho que perfuraram aquelas ruínas. Gotas elementares de cor e luz que se movem hoje por entre teias, contemplando o silencio que navega há deriva.

Isna imagina o som dos movimentos frenéticos que ondulavam por entre ventos e marés. Imagina engenhos cinzelados por mãos ásperas, conspurcas puras, que se dissolviam em movimentos subtis. Memórias envolvendo-se por entre as folhas secas do Outono, como o cheiro do pão que imagina actual.

Entre as vagas de chuva alternadas pelo vento, ressuscita o perfume do húmus molhado...então, Isna liberta o seu grito para eternidade...

- Hoje em ruínas me encontro, perante a força das figueiras estranguladoras que me encarceram e me privam de luz! Que me sugam a seiva do cerne interior da minha alma! Em mim emergem novos templos...amontoados de destroços.

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